Parto da égua: fases, vigilância e quando intervir
O parto da égua é um dos momentos mais rápidos e mais decisivos do ciclo reprodutivo equino. Ao contrário de outros mamíferos, a égua tem um parto explosivo: passa da primeira contração à expulsão do potro em 15-30 minutos. Essa rapidez exige conhecer as fases, vigiar com critério e saber quando intervir ou chamar urgentemente o veterinário.
Fase 1 — preparação uterina
As primeiras horas são discretas: a égua mostra-se inquieta, sua nos flancos e costados, olha para a barriga, alterna posições. Esta fase pode durar entre 1 e 4 horas. É momento de ter o veterinário localizado, a cama limpa e abundante, e a cauda ligada. Não se deve intervir ainda: forçar a égua a deitar-se ou movê-la é contraproducente.
Fase 2 — expulsão do potro
Quando se rompe a bolsa amniótica (líquido claro), começa a fase ativa. A égua deita-se, faz força com contrações visíveis e normalmente expulsa o potro em 15-30 minutos. Se passados 30 minutos não avançar, ou aparecer líquido vermelho escuro em vez de claro, é uma urgência veterinária. O potro deve apresentar-se com as duas patas dianteiras esticadas e a cabeça apoiada sobre elas.
Fase 3 — expulsão da placenta
Depois do nascimento, a égua expulsa a placenta entre 30 minutos e 3 horas. É necessário recolhê-la num saco para a mostrar ao veterinário: uma placenta retida há mais de 3 horas é uma urgência que pode derivar em septicemia. Entretanto, o potro deve pôr-se de pé em menos de 2 horas e mamar antes das 4 horas.
Vigilância respeitosa
A égua prestes a parir necessita de tranquilidade. O ideal é vigiar de fora da box sem entrar continuamente. As câmaras de vigilância equinas são hoje uma ferramenta acessível que evita interromper o processo natural. Não puxar o potro durante o parto salvo indicação veterinária; as posições anómalas requerem um profissional.
Quando chamar o veterinário imediatamente
Líquido vermelho escuro ou castanho em vez do amniótico claro. Égua com contrações improdutivas há mais de 30 minutos. Potro apresentado em posição anómala (apenas uma pata, cabeça para trás). Placenta não expulsa em 3 horas. Potro que não se levanta em 2 horas. Potro que não mama em 4-6 horas. Cada um destes pontos pode salvar a vida da égua ou do potro.
Perguntas frequentes
Em que momento do dia costumam parir as éguas?
A imensa maioria pare de noite, entre as 22:00 e as 4:00. É um comportamento evolutivo de proteção contra predadores.
Posso assistir ao parto se não for profissional?
Pode vigiar e avisar o veterinário. As intervenções ativas (puxar o potro, manipular a placenta) devem ser feitas por profissionais, salvo emergências extremas.
Quando deve o potro tomar o colostro?
Nas primeiras 4-6 horas. Passadas 12-24 horas, a mucosa intestinal do potro deixa de absorver imunoglobulinas e a proteção imune perde-se, mesmo que mame depois.